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A infecção anal assintomática pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV) é mais comum do que se julgava entre os homens heterossexuais
Kelly Morris, Tuesday, July 22, 2008
Segundo um estudo dos E.U.A. publicado na 15a edição do Journal of Infectious Diseases, a infecção anal pelo Vírus do Papiloma Humano (VPH ou HPV em Inglês) é mais prevalente entre os homens heterossexuais do que se julgava anteriormente.

Como para o HPV genital, as estimativas anteriores sobre a prevalência anal têm variado muito. Embora alguns estudos tenham reportado entre 1,2% e 8% de prevalência em homens assintomáticos que relatam não ter sexo com outros homens, constatou-se que a prevalência do HPV anal era de 46% num estudo transversal de 2003 realizado em 50 homens seropositivos heterossexuais utilizadores de drogas injectáveis, sem nenhuma historia reportada de relações sexuais anais.

Os investigadores americanos estudaram uma coorte de homens com idade entre 18 e 40 anos, recrutados na comunidade e nos serviços de saúde sexual, que relataram ter tido sexo com uma mulher no ano anterior. Os participantes preencheram um questionário que incluía potenciais factores de risco e os investigadores usaram uma técnica rigorosa de amostragem para diagnosticar a infecção pelo HPV nas zonas genitais e anais. A infecção foi detectada através do método de PCR (polymerase chain reaction - reacção em cadeia pela polimerase) para identificar o ADN e depois genotipá-lo para 37 tipos de vírus, dos quais 13 estão associados ao cancro. Qualquer vírus que não estivesse incluído nestes tipos era rotulado como não classificado.

Dos 463 homens do estudo populacional, 253 admitiram ter tido sexo com outros homens ou não responderam à pergunta e foram excluídos da análise. Os restantes 222 homens foram divididos num braço constituído por homens com HPV anal e num braço de comparação apenas com homens com ou sem HPV genital. Foram excluídos os homens que apresentavam apenas HPV não classificado nas zonas anais.

O HPV foi encontrado em 24,8% dos homens e 33% destes homens estavam infectados por uma estirpe que estava relacionada com um aumento do risco de cancro anal. Embora nove homens tivessem verrugas visíveis ou lesões nos genitais, nenhum dos participantes tinha estes sinais nas zonas anais.

Num modelo multivariado, o número durante a vida de parceiras sexuais femininas (relação de probabilidades 3,66, 95% CI 1,06-12,62, para 11-20 comparado com 1-5 parceiros) e frequência do sexo no mês anterior (OR 3,20, 95% CI 1,03-14,63 para 2-4 vezes comparado com 0-1 vezes) estavam associados, independente e significativamente, à presença do HPV anal.

No entanto, constatou-se que os participantes que relataram uma frequência maior de sexo no último mês não tinham um risco acrescido de HPV anal, o que pode sugerir que estavam numa relação monogâmica. A análise também constatou que a circuncisão era associada marginalmente a um risco reduzido de HPV anal.

Estas descobertas correspondem; em paralelo; às investigações realizadas em mulheres e em homens homossexuais e outros homens que têm sexo com homens. No entanto, nos homossexuais o HPV anal afecta todos os grupos etários da mesma forma, enquanto que o estudo actual descobriu que a prevalência deste vírus é menos frequente no grupo etário de 30-40 anos, quando comparado com os homens mais jovens.

Embora este seja o maior estudo alargado deste tipo, os autores reconhecem que o estudo não era suficientemente grande para compreender plenamente os factores de risco. Também admitem a possibilidade de resultados falsos positivos; o ADN pode ter sido detectado na superfície da pele sem que haja uma verdadeira infecção e também a possibilidade de que alguns participantes não tenham reportado comportamentos sexuais com outros homens.

Sugerem que os estudos futuros deveriam recolher informação sobre exposição sexual e não sexual, o que poderá esclarecer as vias de transmissão – por exemplo, comportamentos que incluem contactos digitais anais auto iniciados ou com parceiro.

Os autores concluem que as descobertas não deveriam ser usadas para mudar a prática clínica actual, mas é necessária investigação futura, sobretudo para determinar factores relacionados com a persistência do HPV anal associado ao cancro em homens jovens e em homens mais velhos.

Referências

Nyitray A et al. Prevalence of and risk factors for anal Human Papillomavirus infection in heterosexual men J Infect Dis 197: 1676-84, 2008