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As condições da flora vaginal poderão contribuir mais do que se pensava inicialmente para a epidemia do VIH
Algumas alterações da flora vaginal, incluindo a vaginose bacteriana (VB) e infecções causadas por fungos (candidose, por exemplo), foram relacionadas com a transmissão do VIH. A 1 de Junho, uma equipa de investigadores internacionais publicou no Journal of Acquired Immune Deficiency Syndrome o resultado de pesquisas que indicam que as mulheres com VB e candidose têm uma maior probabilidade de ser infectadas pelo VIH, quando comparadas com as outras mulheres do estudo.
O conhecimento existente sobre o papel da VB e dos fungos no aumento do risco de infecção pelo VIH está reduzido a alguns estudos prospectivos, mas tem vindo a aumentar, enquanto que os efeitos de práticas tradicionais, como os duches/ lavagens vaginais e a prática de sexo seco, bem como a inflamação da mucosa vaginal ainda não são bem compreendidos.
A equipa de investigadores de Janneke van de Wijgert desenvolveu um estudo multicêntrico prospectivo de coorte que envolveu a participação de 4.531 mulheres seronegativas para o VIH, utentes de clínicas de planeamento familiar no Zimbabué e no Uganda, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos. Todas as participantes foram testadas para o VIH e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), foram submetidas a exame ginecológico e entrevistadas sobre as suas práticas vaginais a cada 3 meses, por um período que variou entre os 15 e os a 24 meses.
Foram utilizadas exames microscópicos estandardizados para detectar a VB e as infecções fúngicas. A contagem de leucócitos (glóbulos brancos) serviu como marcador de inflamação. Todas as participantes foram tratadas para as ISTs e infecções vaginais e a todas foram disponibilizados gratuitamente meios contraceptivos, preservativos e aconselhamento para redução de riscos. Este foi o primeiro estudo que analisou a relação entre as diferentes condições vaginais e que mede um marcador de inflamação vaginal.
No Uganda, 96% das mulheres completaram os 24 meses de estudo, enquanto que no Zimbabué, apenas 88% monitorizadas durante todo o período do estudo. Durante o estudo, a incidência do VIH foi respectivamente de 4,12 e 1,23 por 100 mulheres/anos de acompanhamento no Zimbabué e Uganda respectivamente (213 novas infecções). Num modelo multivariável, que incluiu outros factores de risco predefinidos, as mulheres com VB ou infecções vaginais fúngicas tinham uma maior probabilidade de infecção pelo VIH, em especial, se a BV fosse diagnosticada na consulta onde era detectada a infecção pelo VIH e na consulta anterior a esta (vulnerabilidade/risco taxa [HR] = 1,67, p <0,001 e HR = 1,44, p <0,001 para a VB e infecção fúngica, respectivamente).
A probabilidade da existência de infecção pelo VIH era maior se as outras infecções fossem detectadas no momento do diagnóstico do VIH, bem como na visita prévia e não só na altura do diagnóstico positivo. No entanto, estas conexões não parecem estar associadas à inflamação da mucosa. Os duches vaginais ou outras práticas tradicionais também não foram associadas à infecção pelo VIH na análise multivariável. Estas práticas foram relatadas por uma pequena percentagem das mulheres, mas já tinham sido previamente associadas a um aumento da VB.
Devido à elevada prevalência de VB e de infecções fúngicas em muitos países onde a epidemia pelo VIH é generalizada, os autores do estudo estabelecem que “um pequeno aumento no risco relativo de transmissão do VIH poderia conduzir a um substancial imputável risco de infecção pelo VIH”. As intervenções destinadas a controlar a VB e outras infecções colocam alguns desafios em contextos com poucos recursos e os investigadores concluem que “poderia ser uma importante estratégia de prevenção do VIH, em particular, na África subsahariana, onde a maioria das infecções pelo VIH ocorre nas mulheres”.
Referência
Van de Wijgert, J Bacterial vaginosis and vaginal yeast, but not vaginal cleansing, increase HIV-1 acquisition in African women, J Acquir Immune Defic Syndr 2008; 48: 203–10, 2008.
O conhecimento existente sobre o papel da VB e dos fungos no aumento do risco de infecção pelo VIH está reduzido a alguns estudos prospectivos, mas tem vindo a aumentar, enquanto que os efeitos de práticas tradicionais, como os duches/ lavagens vaginais e a prática de sexo seco, bem como a inflamação da mucosa vaginal ainda não são bem compreendidos.
A equipa de investigadores de Janneke van de Wijgert desenvolveu um estudo multicêntrico prospectivo de coorte que envolveu a participação de 4.531 mulheres seronegativas para o VIH, utentes de clínicas de planeamento familiar no Zimbabué e no Uganda, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos. Todas as participantes foram testadas para o VIH e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), foram submetidas a exame ginecológico e entrevistadas sobre as suas práticas vaginais a cada 3 meses, por um período que variou entre os 15 e os a 24 meses.
Foram utilizadas exames microscópicos estandardizados para detectar a VB e as infecções fúngicas. A contagem de leucócitos (glóbulos brancos) serviu como marcador de inflamação. Todas as participantes foram tratadas para as ISTs e infecções vaginais e a todas foram disponibilizados gratuitamente meios contraceptivos, preservativos e aconselhamento para redução de riscos. Este foi o primeiro estudo que analisou a relação entre as diferentes condições vaginais e que mede um marcador de inflamação vaginal.
No Uganda, 96% das mulheres completaram os 24 meses de estudo, enquanto que no Zimbabué, apenas 88% monitorizadas durante todo o período do estudo. Durante o estudo, a incidência do VIH foi respectivamente de 4,12 e 1,23 por 100 mulheres/anos de acompanhamento no Zimbabué e Uganda respectivamente (213 novas infecções). Num modelo multivariável, que incluiu outros factores de risco predefinidos, as mulheres com VB ou infecções vaginais fúngicas tinham uma maior probabilidade de infecção pelo VIH, em especial, se a BV fosse diagnosticada na consulta onde era detectada a infecção pelo VIH e na consulta anterior a esta (vulnerabilidade/risco taxa [HR] = 1,67, p <0,001 e HR = 1,44, p <0,001 para a VB e infecção fúngica, respectivamente).
A probabilidade da existência de infecção pelo VIH era maior se as outras infecções fossem detectadas no momento do diagnóstico do VIH, bem como na visita prévia e não só na altura do diagnóstico positivo. No entanto, estas conexões não parecem estar associadas à inflamação da mucosa. Os duches vaginais ou outras práticas tradicionais também não foram associadas à infecção pelo VIH na análise multivariável. Estas práticas foram relatadas por uma pequena percentagem das mulheres, mas já tinham sido previamente associadas a um aumento da VB.
Devido à elevada prevalência de VB e de infecções fúngicas em muitos países onde a epidemia pelo VIH é generalizada, os autores do estudo estabelecem que “um pequeno aumento no risco relativo de transmissão do VIH poderia conduzir a um substancial imputável risco de infecção pelo VIH”. As intervenções destinadas a controlar a VB e outras infecções colocam alguns desafios em contextos com poucos recursos e os investigadores concluem que “poderia ser uma importante estratégia de prevenção do VIH, em particular, na África subsahariana, onde a maioria das infecções pelo VIH ocorre nas mulheres”.
Referência
Van de Wijgert, J Bacterial vaginosis and vaginal yeast, but not vaginal cleansing, increase HIV-1 acquisition in African women, J Acquir Immune Defic Syndr 2008; 48: 203–10, 2008.
