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Exame simples e barato para avaliar endurecimento das artérias nas pessoas seropositivas para o VIH
De acordo com um estudo publicado na edição de 11 de Julho da revista AIDS, um teste simples e barato que avalia o endurecimento das artérias aparenta ser eficaz nos doentes infectados pelo VIH. Os investigadores, em Espanha, descobriram que um reduzido índice tornozelo-braquial (ankle-brachial índex - ABI, em inglês) em pessoas com VIH se correlacionava com a espessura da íntima-média carotídia (IMT, em inglês), um meio tradicional de avaliar o grau de endurecimento das artérias, ou seja, um meio de avaliar o grau de aterosclerose.
A doença cardio-vascular tem vindo a constituir uma preocupação crescente para os doentes a fazer terapêutica anti-retroviral (TAR). Infelizmente, o diagnóstico dos problemas deste foro só acontece quando os doentes já apresentam sintomas e endurecimento das artérias.
Um exame padrão usado para avaliar o grau deste endurecimento é a ecografia realizada com o intuito de avaliar a espessura das camadas (íntima-média) da parede das artérias. Mas este teste é caro e nem sempre fiável. Um teste alternativo é a medição do ABI, que implica apenas a medição da pressão arterial na região do tornozelo e do braço e a comparação dos valores. Trata-se de um teste fácil e barato, cujos valores, nos indivíduos VIH-negativos, mostraram estar relacionados com a determinação da espessura da parede das carótidas.
Contudo, os estudos que mostraram que a avaliação do ABI constitui um meio fiável de medição do grau de endurecimento das artérias têm geralmente sido realizados em doentes mais velhos, com uma prevalência elevada de diabetes. Os investigadores mostraram-se preocupados com o facto de os doentes infectados pelo VIH com maior risco de endurecimento das artérias tenderam a ser mais novos e a apresentar uma prevalência mais baixa de diabetes. Além do mais, outros estudos que utilizaram o ITB/IMB para avaliar o endurecimento arterial em pessoas com VIH têm produzido resultados discordantes.
Foi neste contexto que os investigadores levaram a cabo um estudo, entre o início de 2006 e o fim de 2007, envolvendo 139 doentes seropositivos. Todos tinham realizado os dois testes, de forma a perceber-se se ambos apresentavam igual capacidade preditiva de endurecimento arterial nas pessoas com VIH.
A idade média dos doentes era de 46 anos, 73% eram homens, 79% estava a fazer terapêutica anti-retroviral, 58% apresentavam uma carga viral abaixo das 50 cópias/ml e a contagem média de células CD4s era de 502 células/mm3.
A população do estudo apresentava uma prevalência elevada de factores de risco para doença cardio-vascular: 61% dos participantes eram fumadores, 29% apresentavam tensão arterial elevada, 11% história familiar de doença cardíaca e 22% alterações da gordura corporal associadas aos ARVs.
Globalmente, 46% dos doentes apresentavam três ou mais factores de risco para doença cardíaca. Dezassete por cento dos doentes apresentava um índice de Framingham moderado (Framingham é um método de avaliação do risco cardio-vascular), e 18% elevado.
Cerca de um quinto dos doentes (22%) apresentava uma avaliação do IMT superior a 0.8 mm, sugestivo de espessamento e endurecimento arterial. Este tipo de resultado estava associado a idade avançada, pressão arterial elevada e um índice de Framingham elevado (para todos: p< 0.001).
Um análise mais detalhada mostrou que valores mais baixos de ABI (abaixo de 0.90), tensão arterial elevada e idade encontravam-se todos associados de forma independente a IMTs acima de 0.8 mm (p<0.001 para todos).
Quando os investigadores restringiram a sua análise a doentes com dois ou mais factores de risco para doença cardio-vascular, descobriram que um valor mais baixo de ABI, tabagismo e idade avançada eram todos preditivos de IMT (p<0.001).
Já tinha sido mostrado, em estudos anteriores, que um valor de ABI inferior a 0.90 se encontrava associado a um IMT aumentado.
Todos os doentes do presente estudo com um ABI acima de 0.90 eram homens, e o seu IMT era significativamente mais elevado (0.95 vs. 0.66mm, p = 0.005) do que o dos doentes com ABI normal.
Estes doentes também apresentavam mais factores de risco tradicionais de doença cardíaca (quatro vs. dois, p=0.015), e apresentavam contagens mais baixas de CD4s (220 cells/mm3 vs. 450 cells/mm3, p = 0.009) do que os doentes com ABI normal.
Um ABI elevado (acima de 1.40) tem sido também associado a maior espessura da IMT em pessoas mais velhas seronegativas para o VIH. Mas tal não foi o caso neste estudo.
“Descobrimos que os doentes com um ABI baixo, de acordo com o valor de cut-off aceite para a população em geral, apresentavam um IMT carotídeo elevado, sugerindo que, em pessoas infectadas com o VIH, este valor possa constituir um marcador substituto de aterosclerose sub-clínica”, referiram os investigadores.
Referência
Gutierrez F et al. Relationship between ankle-brachial index and carotid intima-media thickness in HIV-infected patients. AIDS 22: 1369 – 1376, 2008.
A doença cardio-vascular tem vindo a constituir uma preocupação crescente para os doentes a fazer terapêutica anti-retroviral (TAR). Infelizmente, o diagnóstico dos problemas deste foro só acontece quando os doentes já apresentam sintomas e endurecimento das artérias.
Um exame padrão usado para avaliar o grau deste endurecimento é a ecografia realizada com o intuito de avaliar a espessura das camadas (íntima-média) da parede das artérias. Mas este teste é caro e nem sempre fiável. Um teste alternativo é a medição do ABI, que implica apenas a medição da pressão arterial na região do tornozelo e do braço e a comparação dos valores. Trata-se de um teste fácil e barato, cujos valores, nos indivíduos VIH-negativos, mostraram estar relacionados com a determinação da espessura da parede das carótidas.
Contudo, os estudos que mostraram que a avaliação do ABI constitui um meio fiável de medição do grau de endurecimento das artérias têm geralmente sido realizados em doentes mais velhos, com uma prevalência elevada de diabetes. Os investigadores mostraram-se preocupados com o facto de os doentes infectados pelo VIH com maior risco de endurecimento das artérias tenderam a ser mais novos e a apresentar uma prevalência mais baixa de diabetes. Além do mais, outros estudos que utilizaram o ITB/IMB para avaliar o endurecimento arterial em pessoas com VIH têm produzido resultados discordantes.
Foi neste contexto que os investigadores levaram a cabo um estudo, entre o início de 2006 e o fim de 2007, envolvendo 139 doentes seropositivos. Todos tinham realizado os dois testes, de forma a perceber-se se ambos apresentavam igual capacidade preditiva de endurecimento arterial nas pessoas com VIH.
A idade média dos doentes era de 46 anos, 73% eram homens, 79% estava a fazer terapêutica anti-retroviral, 58% apresentavam uma carga viral abaixo das 50 cópias/ml e a contagem média de células CD4s era de 502 células/mm3.
A população do estudo apresentava uma prevalência elevada de factores de risco para doença cardio-vascular: 61% dos participantes eram fumadores, 29% apresentavam tensão arterial elevada, 11% história familiar de doença cardíaca e 22% alterações da gordura corporal associadas aos ARVs.
Globalmente, 46% dos doentes apresentavam três ou mais factores de risco para doença cardíaca. Dezassete por cento dos doentes apresentava um índice de Framingham moderado (Framingham é um método de avaliação do risco cardio-vascular), e 18% elevado.
Cerca de um quinto dos doentes (22%) apresentava uma avaliação do IMT superior a 0.8 mm, sugestivo de espessamento e endurecimento arterial. Este tipo de resultado estava associado a idade avançada, pressão arterial elevada e um índice de Framingham elevado (para todos: p< 0.001).
Um análise mais detalhada mostrou que valores mais baixos de ABI (abaixo de 0.90), tensão arterial elevada e idade encontravam-se todos associados de forma independente a IMTs acima de 0.8 mm (p<0.001 para todos).
Quando os investigadores restringiram a sua análise a doentes com dois ou mais factores de risco para doença cardio-vascular, descobriram que um valor mais baixo de ABI, tabagismo e idade avançada eram todos preditivos de IMT (p<0.001).
Já tinha sido mostrado, em estudos anteriores, que um valor de ABI inferior a 0.90 se encontrava associado a um IMT aumentado.
Todos os doentes do presente estudo com um ABI acima de 0.90 eram homens, e o seu IMT era significativamente mais elevado (0.95 vs. 0.66mm, p = 0.005) do que o dos doentes com ABI normal.
Estes doentes também apresentavam mais factores de risco tradicionais de doença cardíaca (quatro vs. dois, p=0.015), e apresentavam contagens mais baixas de CD4s (220 cells/mm3 vs. 450 cells/mm3, p = 0.009) do que os doentes com ABI normal.
Um ABI elevado (acima de 1.40) tem sido também associado a maior espessura da IMT em pessoas mais velhas seronegativas para o VIH. Mas tal não foi o caso neste estudo.
“Descobrimos que os doentes com um ABI baixo, de acordo com o valor de cut-off aceite para a população em geral, apresentavam um IMT carotídeo elevado, sugerindo que, em pessoas infectadas com o VIH, este valor possa constituir um marcador substituto de aterosclerose sub-clínica”, referiram os investigadores.
Referência
Gutierrez F et al. Relationship between ankle-brachial index and carotid intima-media thickness in HIV-infected patients. AIDS 22: 1369 – 1376, 2008.
